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A VOLUNTERAPIA SERÁ UMA BOA ESCOLHA?

Posted by: BLVE in: ● August 29, 2009

Face a situações mais ou menos graves de depressão e stress, está a assistir-se cada vez mais, que os psiquiatras recomendem aos seus pacientes a procura de programas de voluntariado com o objectivo de que a sua participação nos mesmos funcione como terapia com vista à obtenção do estado de saúde que procuram. Ou seja, parece estar a querer despontar um novo modelo de terapia ocupacional: a volunterapia.

Considerando embora a pretensa boa intenção dos clínicos, a verdade é que não existe justificação mais desadequada para aconselhar alguém a realizar voluntariado, que colocar o paciente na expectativa de que melhorará o seu estado de saúde mental por essa via, mesmo que possa ser complementar a outras.

O voluntariado está definido como “o conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”.

O voluntariado realiza-se por pessoas ao serviço de pessoas. É uma actividade de relação interpessoal e de prestação de serviços ou cuidados pessoais que permitem a melhoria do bem-estar biopsicosocial e espiritual da pessoa ajudada, embora se saiba que na relação de ajuda, quem ajuda também será contemplado com parte do resultado da acção.

Normalmente quem é objecto de ajuda encontra-se em situação de debilidade física ou mental, ou as duas, ou emocional e de relação, ou situação de carência que pode ser mesmo ao nível da realização das actividades básicas da vida diária. Está em situação de dependência.

Quem ajuda não pode nem deve encontrar-se na situação em que já se encontra a pessoa a ajudar. Para que aconteça uma efectiva relação de ajuda, o voluntário tem que aportar à actividade e à outra pessoa, aspectos que possibilitem esta de melhorar a sua qualidade de vida e ser feliz.

Pessoas carenciadas ao nível da sua saúde emocional, sentimental e mental não devem realizar voluntariado, sobretudo quando este implique a realização de tarefas de ajuda a outras pessoas. Todos ficam a perder, inclusivamente as Instituições que enquadram os voluntários.

A partir dos relatos que lhe chegam e do conhecimento que tem vindo a construir, a Federação Nacional de Voluntariado em Saúde está atenta e recomenda, por um lado aos clínicos que operam as escolhas enunciadas e por outro às Organizações Promotoras de Projectos de Voluntariado, a procura de posturas e procedimentos que permitam ao menos minorar as situações em que são integrados em Serviços de voluntariado, pessoas em situação de carência a nível da saúde mental ou com problemáticas existenciais.

As pessoas a ajudar e as Instituições, só têm a ganhar com um bom recrutamento, selecção e integração, e adequação do perfil do voluntário à definição do conteúdo funcional da actividade que vai realizar.

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