QUE PAPEL A DESEMPENHAR?
Realizar acções voluntárias não é um destino de alguns mas é uma obrigação de todos os cidadãos. E ao fazer a segunda afirmação, tenho consciência e certeza que se por um lado todos os homens (não sendo apenas indivíduos) são pessoas dotadas de dignidade, esta é “de tipo” superior por serem filhos de Deus. Por outro e por este facto, têm também em si o enxerto do dever de proverem ao outro, aos outros, no necessário ou no possível, para que todos vivam uma vida com qualidade e sejam felizes.
Apesar de ser um dever de todos, a verdade é que apenas uma minoria realiza acções que comummente se denominam de voluntárias. É por exemplo o caso do voluntariado na Saúde, um sector do voluntariado muito exigente a vários planos e graus, para o qual devem ser exigidos voluntários com competências e qualidades operacionais e humanas, pessoais e relacionais, que possam ser uma mais-valia para a vivência plena do estado de saúde física, mental e espiritual, e para a humanização da prestação dos cuidados e dos Serviços.
Independentemente dos aspectos sociais, políticos, económicos, filosóficos, religiosos e outros, o aspecto da humanização é (ou deve ser) também na saúde, o que impele, não apenas os voluntários mas também toda a comunidade de cada Unidade de Saúde. Por isso os destinatários da acção dos voluntários da saúde devem ser todos: os colaboradores e os clientes.
A eficácia da intervenção clínica é mensurável e avaliável. A da acção desenvolvida pelos voluntários da saúde não é mensurável, nem científica nem humanamente. A acção dos voluntários da saúde, produz bem-estar e induz cura por meio da humanização que opera, do carinho, do apoio anímico, da companhia, da paz e do amor que reflectem e transbordam para os pacientes e para a comunidade que é cada Unidade de Saúde. A expectativa dos voluntários é que cada paciente atinja o seu pleno estado de saúde biopsicosocial e espiritual ou mesmo caminhe feliz, de bem com a vida e com Deus, que pode ser para a eternidade.
Nós voluntários, que denominamos quem servimos, de irmãos ou de “o outro”, devemos querer perceber que a nossa acção não é um favor quer lhes prestamos mas o contributo para a satisfação de um direito que lhes assiste, se estão em situação de desfavor ou carência. O nosso compromisso realiza-se no contexto da co-responsabilidade, pois é nosso dever sermos voluntariamente solidários, dever esse ditado pela consciência superior de que somos cidadãos de um mundo, e não com a finalidade da obtenção de benefícios, nem que seja em outra situação existencial.
Então, que papel devemos desempenhar enquanto voluntários da Saúde? Sem dar receitas, estejamos atentos ao que nos rodeia, a quem nos rodeia, sobretudo nas Unidades de Saúde. Também aqui os tempos têm os seus sinais. Perante as situações, o que é que não é do foro dos profissionais que precisa ser ainda feito? O que é que os voluntários podem fazer para que o paciente, pessoa como cada um dos voluntários, se sinta aconchegado e acalentado na sua situação de fragilidade humana e quiçá espiritual? Amemos! Transbordemos paz e bem! Façamos com que a pessoa ajudada sinta que vive e que viverá em abundância.